sábado, 10 de dezembro de 2011

Olhando o céu



Eu estou aqui, mas o meu pensamento está bem longe. Não sei tentando buscar o quê. Vem à mente lembranças de algumas pessoas, alguns momentos interessantes... Instantes que marcaram por algum motivo. Tantos motivos que vivi. E outros tantos que deixei de viver.
Deixei passar metade da minha vida. Não corri, não andei, não lutei, não tentei descobrir, não perguntei, não estirei o braço, não respirei profundamente, não insisti, não fui ativo, não gritei, não sonhei, não falei, não desconfiei, não me desbloqueei, não botei o cinto de segurança, não fechei o vidro, não respeitei o sinal, não disse o que sentia, não falei de amor, não descrevi meus sentimentos, não menti, não fui humilde, não parei para ouvir, não entendi o meu próprio idioma, não matei a minha cede, não agradeci a Deus como deveria, não me atentei aos detalhes... Deixei de viver a minha juventude.   
Agora me pego aqui olhando o céu através da minha janela. Esse azul imenso e bonito que deixa os meus olhos felizes e ao mesmo tempo cansados por não conseguirem acompanhar tamanha beleza. Fico imaginando que tudo poderia ter tido um pouco mais de alegria em meu mundo. Mas eu não soube aproveitar a liberdade que Deus me deu.
Esses dias vendo o meu pai na cama daquele hospital, fraquinho, velhinho com os cabelinhos todos brancos e sem o brilho forte dos seus olhos azuis, perguntei pra mim se existe alguém para me dar assistência quando eu vier a precisar.
Tenho medo de dar trabalhos aos outros. Não sei se terei coragem de gritar por socorro quando for pego por uma dor no meio da madruga. Procuro sempre pensar que mal nenhum tomará conta de mim. Sei que corro tal risco, assim como todo mundo, mas não gosto de pensar em doença. Peço a Deus o tempo todo que me proteja cuidando de mim, dos meus e de todos. Quero ver todo mundo com saúde, paz e amor no coração. Será que é querer demais?
É isso aí. Hoje me peguei pensando nessas coisas. Senti um pouco de saudade acompanhada de uma vontade de voltar ao passado e mudar algumas situações que não vivi com a intensidade merecida. Mas o passado não volta. É passado. Já teve o seu tempo. Foram momentos que ficarão guardados para sempre em seu devido lugar. Tenho agora de continuar dando sentido a minha vida. Querer que o passado volte não é uma boa idéia. Hoje, ele apenas, faz parte da minha história.
Nada é para sempre. Tudo que tem começo também tem fim. Eu devo continuar plantando essas sementinhas do bem que tenho plantado desde que me entendo de gente. Talvez um dia, o resultado de uma delas caia sobre mim e transforme essa minha monotonia em alegria duradoura.
Eu acredito no amor. Eu acredito em Deus.       

1 comentários:

Lú Silva disse...

Meu caro João, outro dia li em um email enviado a mim o seguinte: "Não podemos reciclar o tempo perdido". Uma verdade doida, porém necessária. Portanto, trate de viver esse seu presente lindo que Deus está lhe concedendo junto da sua família, amigos, colegas, conhecidos e afins... O importante é ser feliz e Deus vai nos entender do jeito que somos e escolhemos ser... Disso tenho certeza!!!
Um beijo fraterno.